24 de maio de 2007

RUAS ERMAS SOB UM CÉU COR DE VIOLETAS ROXAS

Por nunca me terem dito, ou sequer ouvido falar, só hoje descobri que existe uma feira do livro em Évora. Mesmo nunca tendo sido convidado, continuo interessado em saber o que se passa na minha cidade de origem. Pelo que vi do programa, não faltarão bonecreiros, gigantones e cante alentejano enrolado com guitarra caipira, mostrando que a visão cultural do ano 1975 continua viva (e os programadores devem ser os mesmos). E, presumo que por influência da Biblioteca de Beja, emblemática neste trabalho, a população poderá ouvir quase todos dias, contadores de histórias.Pagos, acredita-se.
Só não vi a indicação da presença de nenhum escritor. Mas se calhar, não usam. Talvez esta feira se subordine à ideia que há um escritor em cada tocador de bombo. E um poeta em cada sindicalista que atravesse a cidade numa 4L.

ps: pelos comentários abaixo se vê que era mesmo distracção minha.
... Claro que ao procurar as notícias relativas à feira deste ano não encontrei NENHUMA referência aos escritores presentes. Peço desculpa aos amigos, mas vai a dar no mesmo. Uma feira do livro faz-se porque há pessoas que os escreveram e pessoas que os leram, querem ler mais e, em muitos casos, partilhar as suas ideias entre si. Uma feira do livro não é um mini-preço de folhas impressas. Existe porque alguém teve uma ideia, se sentou num lugar qualquer e a escreveu. E voltou a escrever. Até que a coisa se prontificou a entrar no percurso do combatente que é a publicação. Os escritores existem. E, enquanto leitor, acho que lhes devemos respeito. O respeito necessário para ao menos, teclar os nomes dos mais generosos que ali estarão de borla a justificar a existência da coisa.
Chamem-lhe excesso de zelo, se quiserem.

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